quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

It may not hurt now. but its gonna hurt soon

Mentira é mentira. Não importa o tamanho, não importa o motivo. É mentira e pronto.

Tudo isso começou com uma. Aparentemente inofensiva. Dizer a verdade ia ter causado um pequeno drama? Ia, certamente ia. Mas é aquela coisa, a gente fica chateado, magoado, se sente meio desimportante, mas passa por cima. Tudo era tão maior, tão maior do que a pequena mentira que se instaurou nas nossas vidas e roubou minha alegria boba e real de acordar para ir buscar ovos para o omelete de sábado. Era mentira, eu sabia. Tu sabia.

E aquilo minou a esperança num amor vislumbrado em atitudes que mais pareciam lapsos. É difícil de ver o que não pode ser mostrado. E eu nunca fui muito boa em interpretar atitudes. Mas e a verdade era tão terrível assim pra esse pequeno desvio mudar todo o curso da história? Foi uma mentirinha boba. Mas como nada me provava o contrário, eu fiz uma bobagem. Mas não isso tudo que tá sendo colocado na minha conta.


Confesso, nunca foi fácil. Era sempre aquela coisa de andar na corda bamba, de se sentir com os dias contados. É complicado ser feliz assim. E mais: é impossível ser racional assim. Sim, a gente conseguiu construir um mundo nosso. Uma realidade com vento e maresia e na qual eu constantemente capotava no sofá, extrapolava na pimenta e enfiava os pés pelas mãos. Mas nesse lugar, onde tantas vezes eu me senti sozinha e sem ar, tu aparecia. E me dizia pra respirar com calma, lembrava do shoyu pras cebolas e dançava as borbulhantes.

Por isso que dói mais do que qualquer coisa que pode doer ouvir aquilo tudo. Por que nunca se conseguiu toda essa franqueza antes? Por que era tão difícil? O que a gente vai fazer com isso tudo? Seguir fingindo que nada aconteceu? Vamos manter aquele velho jogo: tu saindo com uma a cada dia e eu saindo todos os dias até a dor passar? Por que tu disfarça bem, mas eu nunca tinha visto tanta tristeza naquela sala enorme.


Então, eu vou te dizer a verdade. Por mim, a gente podia mudar tudo. Mas eu sei que só vamos seguir tentado contornar o vento, mesmo que isso não o impeça de soprar. E forte.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

The Body

eu devia ter uns 13 anos na primeira vez que li isso, mas eu nunca esqueci:

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Não há inverno que resista.
Não há baixa temperatura que não abra a guarda pro teu calor de fim de manhã.
O teu sorriso, daqueles de corpo inteiro, que te faz brilhar os olhos e até deixa verdes as folhas
O vento, que tanto incomoda os que têm olhos de chumbo, brinca com teu cabelo desgrenhado, balança pra lá e pra cá na leveza do teu flutuar
O peso te encontra, até te derruba, mas não segue contigo
Eles se arrastam, tu flui.
Escorre entre os dedos e volta na próxima chuva.


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Hemingway, a primavera e eu

Quando você fica pasmo porque o Hemingway entende tudo

"A gente já espera ficar triste no outono. Uma parte da gente morre cada ano, quando as folhas caem das árvores e seus galhos ficam nus batidos batidos pelo vento e a luz fria invernal. Mas sabíamos que haveria sempre outra primavera, assim como sabíamos que o rio fluiria de novo depois de ter estado congelado. Quando as chuvas frias continuavam durante longo tempo e acabavam matando a primavera, era como se um jovem tivesse morrido à toa.
Naqueles dias, porém, a primavera sempre triunfava, mas dava-nos um frio na espinha pensar que faltara pouco para que tivesse falhado."

e ele vem e diz isso:

"Quando a primavera chegava, mesmo que se tratasse de uma falsa primavera, nossos problemas desapareciam, exceto o de saber onde se poderia ser mais feliz. A única coisa capaz de nos estragar um dia era as pessoas, mas se se pudesse evitar encontros, os dias não tinham limites. As pessoas eram sempre limitadoras da felicidade, exceto aquelas poucas que eram tão boas quanto a própria primavera"

terça-feira, 20 de setembro de 2011

iguais

Apesar de uma certa raiva infantil por saber que, no fundo, aquilo era muito mais uma maneira sutil de explicar as negativas seguidas de - dadas as circunstâncias - um necessário distanciamento do que qualquer outra coisa. Foi, de certa forma, confortante saber que existem mais pessoas no mundo que enxergam a beleza de encontrar quem entenda necessidade de, de quando em vez, esconder-se embaixo da mesa.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

gosto

Eu gosto de torrada de pão velho e de caderno novo.
Eu gosto de pés quentes e sprite bem gelado.
Eu gosto do sol no inverno e no verão.
Eu gosto de gatos que miam quando chego e de gente cujos olhos sorriem mais que qualquer boca faceira
Só não gosto do gosto azedo de gostar de quem jamais vai se dar ao trabalho de gostar de alguém assim.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

lá fora chove
aqui dentro transbordo
e o que fazer se já não há pra onde escoar?

quarta-feira, 6 de julho de 2011

tem horas

que eu queria ser como o meu irmão:
largar tudo para estar no mundo e não aturar pedrada de qualquer um

por que, né, me diz?

PRA QUÊ?

segunda-feira, 6 de junho de 2011

segunda-feira, 30 de maio de 2011

landlocked blues



And the world's got me dizzy again
You think after 22 years I'd be used to the spin
And it only feels worse when I stay in one place
So I'm always pacing around or walking away
I keep drinking the ink from my pen
And I'm balancing history books up on my head
But it all boils down to one quotable phrase
If you love something, give it away

domingo, 29 de maio de 2011

domingo

é o dia de lembrar de detalhes que deveriam, há muito, ter sido esquecidos.
como aquele dia em que não combinava com absolutamente nada da comida,
mas tinha aquele potinho de ervilha na mesa
"só porque eu sei que tu gosta tanto"
a saudade mora nos mínimos detalhes.

terça-feira, 3 de maio de 2011

círculo

- Não podemos fazer nada? - perguntei.
- Não sei - disse ela - mas não quero passar novamente por esse inferno.
- Então seria melhor que não nos tornássemos a ver.
- Não, querido, tenho necessidade de vê-lo. E isso não é tudo, você bem sabe.
- Sim, mas acaba sempre nisso.
- A culpa é minha. Não pagamos por tudo que fazemos?

quinta-feira, 28 de abril de 2011

eu não tenho mais medo

- tá maluca? andando por aí assim?

- qual o problema?

- não tem medo?

- medo? de morrer?

- é?

- eu não tenho mais medo de morrer. Isso a gente faz todo dia. Morrer todos os dias é dirigir pro trabalho só para pagar o carro que te leva pra trabalhar. São os alfinetes que se instalam no coração cada vez que não se diz o que se sente. É viver esperando para viver nas férias. É sair de um lugar achando que, assim, a gente sai de dentro de nós mesmos. É cada não sonoro que fica só no imaginário. A gente morre todos os dias, vivendo na inércia e, ainda assim, não sabendo se deixar levar. Eu já morri. Morro um tanto todos os dias. Mas eu só sigo na vida, em busca de viver um dia inteiro sem morrer nenhum segundo.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

meu livrinho de recortes

"Mas é preciso que compreenda que tudo isso aconteceu por sua causa. Se eu posso lhe dar um conselho, no futuro seria melhor você ser sincero e não mentir, porque uma mulher não pode ter estima por um homem que mente."

sexta-feira, 18 de março de 2011

não exijo muito dos outros. deixo isso pra mim.
mas, sabe, só um pouquinhozinho de esforço já me acalmaria

sábado, 19 de fevereiro de 2011

bem que me avisaram: eles vão querer beber teu sangue.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Ano dois

"Atravessamos o presente de olhos vendados, mal podemos pressentir ou adivinhar aquilo que estamos vivendo. Só mais tarde, quando a venda é retirada e examinamos o passado, percebemos o que foi vivido, compreendendo o sentido do que se passou"

Será?
You look good
but you sound better

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Danke

eu até gostava de ti.
matar isso de vez,
foi o único favor que tu me fez

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

An’ it ain’t no use in turnin’ on your light, babe



I'm on the darkside of the road...

Digamos que existe um enorme delay entre a gente. É como se tivéssmos passado a vida toda conversando no Skype com uma internet ruim. Agora, de uma hora pra outra, aumentou a banda e eu até entendo, só que não me interessa mais ouvir.

sábado, 6 de novembro de 2010

Olhos, olhos e mais olhos

"Brett me olhava bem nos olhos, com aquele seu jeito que nos fazia duvidar que via realmente com seus próprios olhos. E os olhos dela continuariam a olhar, depois que todos os olhos do mundo tivessem cessado de olhar. Olhava como se nada existisse na Terra que não tivesse ousado olhar assim e, na verdade, tinha medo de tantas coisas"

Hemingway repetindo olhos e olhares, assim, sem medo de ser feliz no livro que eu já li umas vinte vezes. E na verdade, leria mais vinte se pudesse.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Now I'm ready to start



"Now you're knocking at my door
Saying please come out against the night
But I would rather be alone
Than pretend I feel alright"

Foi libertador, obrigada.
Mas (r)encerramos nossa interação por aqui.